sexta-feira, junho 11, 2004

A bandeira na janela.

A auto-estima potenciada por um campeonato europeu de futebol parece-me um tranquilizante de valor duvidoso. E é passageiro, como tudo por cá. Mas as ondas apanham-se melhor de lado. Mergulhar nelas é outra opção. Ainda nem os jogos começaram e já tenho os poros tapados de tanto futebol mais o marketing e a informação idiota associada ao acontecimento. Viver português alterna entre o fado e o fardo. Isto do EURO constitui-se um pouco como fardo. Deixa-se de ser o país de cidadãos plenos para existir uma transfiguração para um território de adeptos de calção e camisola numerada. Luzidios e alienados pelas ruas. Mas bem sei que tarde ou cedo vou ser atingido pela maré futeboleira. O futebol dos 90 minutos é um espectáculo. A chatice vem depois. E antes. E de todo em todo aos malucos não convêm contrariá-los. Como diria o Perestrelo «é disto que o meu povo gosta».