sexta-feira, abril 16, 2004

A nova Constituição iraquiana será instântanea?

Ouvi na TV no outro dia esse iluminado da Ciência Política que é o Sr. George W. Bush a estabelecer o calendário para a instituição da democracia no Iraque e para a retirada das tropas ocupantes. Para além da estranheza que me provocou o chefe de estado de um país (democrático) ditar o calendário de acontecimentos noutro (será o Iraque um protectorado ou uma colónia?) outra coisa me causou estranheza. O Sr. disse que as eleições para a constituinte estão marcadas para Janeiro do ano que vem e que a constituição deve estar pronta em Outubro. Menos de um ano? Eu não quero ser chato mas a constituição de um país é uma coisa séria (acho eu!). No nosso país, por exemplo, a discussão, elaboração, aprovação e publicação demorou um ano. Mas o nosso país não tem problemas de minorias religiosas ou étnicas, não há pretenções de independência de nenhuma área. A única coisa que temos parecida são as Regiões Autónomas dos arquipélagos do atlântico, mas que, convenhamos, não são um problema que se compare, nem de longe, com o dos Curdos. Os açoreanos e os madeirenses são tão portugueses como um transmontano, não há diferenças étnicas ou de história, nada. Os Curdos querem ser independentes desde pelo menos o príncipio do século e a Turquia já avisou que se for dado algum grau de autonomia ao Curdistão iraquiano se verá obrigada a invadir o Iraque. Para além do problema dos sunitas versus xiitas, minoria cristã, extremismos religiosos, etc. Menos de um ano? Mas é o quê, instântanea? É só juntar água e puf, nasceu um novo regime.